Patologias Respiratórias

Asma

O que é a Asma?

A Asma é uma doença inflamatória crónica dos brônquios.



Resulta do estreitamento dos brônquios, que pode ocorrer em várias circunstâncias. Ficando mais estreitos, o ar sai e entra nos pulmões com mais dificuldade. Este estreitamento é provocado pela contração dos músculos que existem à volta dos brônquios, pelo aumento da parede dos brônquios, ficando assim o interior dos brônquios mais estreito e pela maior quantidade de secreções que os brônquios produzem.



Quais são os sintomas da Asma?

Causa sintomas respiratórios, nomeadamente dificuldade em respirar, pieira ou chiadeira, sensação de opressão do tórax, tosse e cansaço. A intensidade dos sintomas é muito variável de doente para doente e mesmo em cada doente, já que podem passar-se dias, semanas ou meses sem sintomas ou podem ser muito frequentes. Também a intensidade das crises pode ser muito diferente de dia para dia.



Dificuldade em respirar: dificuldade em deitar fora o ar do peito e em fazer entrar mais ar. Normalmente, não temos consciência da entrada e saída de ar dos pulmões.



Pieira: ruído tipo assobio que se ouve quando respiras, e que é provocado pela passagem do ar nos brônquios estreitados.



Sensação de aperto no tórax: sensação de ter o peito a ser apertado por um cinto.


Há muitas pessoas com Asma?

A Asma afeta cerca de 150 milhões de pessoas de todas as idades no Mundo.



Em Portugal calcula-se que estão afetadas cerca de 600.000 pessoas. Afeta crianças e adultos. Em Portugal calcula-se que afete cerca de 11% das crianças e 5% dos adultos.


O que provoca as crises de Asma?

As crises de Asma podem ser provocadas por desencadeantes. Estes podem ser alergénios, exercício físico, o riso, o frio, certos alimentos ou os seus aditivos, fármacos, etc. Chama-se alergénios a substâncias capazes de provocar alergia, como o pólen de flores, árvores e arbustos, ácaros do pó da casa, pelo de animais, etc.



É importante saber reconhecer o que lhe causa o aparecimento dos sintomas e das crises. Assim poderá evitar o seu aparecimento:



Ácaros: são microrganismos microscópicos que vivem nos nossos colchões, cadeirões, almofadas etc.



Pólen: é uma das causas mais frequentes de crises de Asma. A polinização das plantas faz-se principalmente na Primavera. E nesta altura que os asmáticos alérgicos aos pólen têm sintomas. Podem passar completamente bem nos restantes meses do ano.



Alimentos: alguns alimentos podem provocar Asma, por vezes não são os alimentos a causa real da Asma, mas os conservantes, os corantes, etc.



Medicamentos: o ácido acetil-salicilico (a vulgar aspirina) a penicilina, etc, podem provocar Asma. Se for alérgico a um medicamento, tome nota do seu nome. Sempre que o seu médico receitar medicamentos informe-o de quais não pode tomar.



Exercício físico: pode causar crises de Asma, no entanto isso não deve levar a evitar o exercício físico. 


O que pode agravar a Asma?

Algumas substâncias não causam Asma mas agravam-na. Isso acontece por exemplo com o fumo do tabaco, a poluição do ambiente ao ar livre ou no interior dos edifícios.



Fumo do tabaco: o fumo do tabaco agrava a Asma. Se respirares o fumo do tabaco de outras pessoas podes ter uma crise de Asma. Não deves fumar e deves evitar os locais com muito fumo.



 Poluição: são as substâncias tóxicas existentes no ar ambiente.



A poluição do exterior é produzida pelos transportes, as atividades industriais, as atividades domésticas e o aquecimento. Os principais poluentes atmosféricos são o ozono, o dióxido de enxofre, o dióxido de azoto, o monóxido de carbono, o chumbo e as partículas em suspensão. Estes produtos químicos agravam a Asma.



A poluição do interior há que existe no interior dos edifícios. O ar dentro dos edifícios também é poluído por produtos industriais, materiais de construção dos edifícios, uso de combustíveis domésticos e fumo de tabaco.



Mudanças bruscas de temperatura: as variações de temperatura, principalmente o ar frio são capazes só por si de causar crises de Asma.



Constipações: são provocadas por vírus ou bactérias que infetam as vias aéreas superiores e/ou inferiores. Estas infeções podem também causar crises de Asma.


Como se trata a Asma?

O tratamento assenta essencialmente no seguinte : evição dos desencadeantes, tratamento preventivo e tratamento das crises



1. Evição dos desencadeantes : consiste em evitar o que lhe causa os sintomas.



Se é alérgico aos ácaros deverá ter um grande cuidado na limpeza do pó do seu quarto. Deve ser aspirado frequentemente, principalmente o colchão. Deve evitar ter muitos objetos, como livros, bibelots, brinquedos, etc que acumulem pó e dificultem a limpeza do quarto. Os cortinados devem ser de materiais de lavagem fácil. Não deve usar alcatifas. Tenha móveis fáceis de limpar com um pano húmido evitando que ande muito pó no ar.



Na primavera evite as janelas abertas e proteja-se nos dias de muito vento. Nesses dias, há mais pólen no ar e o risco de piorar aumenta.



 Se é alérgico a cães e gatos não os pode ter.



 Não coma nem beba alimentos que sabe causarem-lhe sintomas respiratórios.



 



2.Tratamento preventivo: o principal tratamento da Asma é o tratamento preventivo, isto é, o uso de medicamentos que evitam o aparecimento dos sintomas. São medicamentos que deve tomar mesmo quando anda bem, sem sintomas. Só assim conseguem passar sem sintomas.



Os corticoides inalados são os medicamentos mais eficazes na prevenção das crises de Asma. Podem e devem por vezes associar-se a outros medicamentos, como os broncodilatadores beta-agonistas de longa duração, os antileucotrienos e nalguns casos os anti-histamínicos. Siga os conselhos do seu médico.



 



3.Tratamento das crises: quando tem sintomas, deve fazer broncodilatadores, como os beta-agonistas de ação curta, ou outros. Siga as instruções do seu médico e se não obtiver melhoras dirija-se ao Centro de Saúde ou ao Hospital da sua área.


Devo fazer inaladores?

A melhor maneira de tomar um medicamento para a Asma é inalando-o, isto é, respirando-o. Consegue-se um efeito mais rápido, com doses mais pequenas e menos efeitos indesejáveis.



Os inaladores são dispositivos que permitem administrar os medicamentos diretamente para os brônquios. Existem sob várias formas: aerossóis pressurizados, inaladores de pó, etc.



Os inaladores permitem distribuir um medicamento de uma forma mais rápida, com doses mais pequenas e com menos efeitos secundários.



Não se esqueça que são um medicamento. Como tal devem ser usados respeitando as doses prescritas.


Devo fazer natação?

A natação é um excelente desposto para o doente com Asma. Desenvolve os músculos respiratórios, o que melhora muito a capacidade respiratória do doente.



Há outros desportos também indicados para o asmático: o remo, o andebol, o basquete são também desportos que desenvolvem os músculos respiratórios.


O meu filho tem Asma. Deve frequentar aulas de educação física?

Sim, pode e deve fazer exercício físico, exceto se estiver em crise. A Educação Física contribui para o bem-estar e para a saúde do seu filho, promovendo um crescimento harmonioso e um melhor controlo do seu corpo.



No entanto deve informar o professor de Educação Física que o seu filho tem Asma. O professor pode assim fazer-lhe exercícios mais indicados e evitar alguns que lhe provoquem Asma.



Pode ser necessário fazer um medicamento antes do exercício físico. Consulte o seu médico. Ele saberá o que deve fazer.


A Asma tem cura?

Não. A Asma não tem cura, mas controla-se bem com alguns cuidados e o medicamento. Hoje em dia a maior parte dos doentes pode fazer uma vida normal desde que cumpre as indicações do seu médico.


Pode morrer-se de Asma?

Pode, mas felizmente com os tratamentos atualmente disponíveis morre-se muito menos de Asma. É fundamental que os doentes sigam os tratamentos de prevenção que permitem controlar a Asma. Os doentes que morrem de Asma são os que fazem os tratamentos irregularmente.



Em situação de crise que o doente não consegue controlar rapidamente com os medicamentos que lhe são indicados para combate das crises, devem recorrer rapidamente ao médico ou dirigir-se ao hospital mais próximo. Hoje em dia a mortalidade por Asma nos hospitais é muito baixa. São muitos os hospitais com unidades de cuidados intensivos capazes de responderem às crises mais graves e existem em quase todos os hospitais, pneumologistas preparados para resolverem a situação.


DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica)

O que é a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica?

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) é uma doença bronco pulmonar que resulta de uma obstrução das vias aéreas.



Sob esta designação incluem-se:



Bronquite crónica: é uma inflamação crónica dos brônquios e define-se como a presença de tosse e expetoração na maior parte dos dias, 3 durante 3 meses 2 anos consecutivos.



Enfisema: pode surgir isoladamente ou como complicação da Bronquite crónica. Há uma destruição progressiva do tecido pulmonar - dos alvéolos - e o pulmão vai perdendo a elasticidade. As vias aéreas vizinhas colapsam.


Há muitas pessoas com DPOC?

Entre nós calcula-se que sofram de DPOC entre os 35 e os 69 anos 5,42% da população.



A doença atinge mais os homens do que as mulheres devido ao maior número de homens que fumam. Com o aumento do número de fumadoras, espera-se no futuro que esta diferença se reduza.



Anualmente morrem cerca de 8,7 por 100.000 habitantes por DPOC.

Quais as causas da DPOC?

Na grande maioria dos doentes a DPOC é causada pelo fumo dos cigarros. 10 a 15% dos fumadores veem a sofrer de DPOC.



Algumas exposições profissionais também podem causar DPOC: fumos químicos, poeiras orgânicas e inorgânicas. Nos fumadores a poluição atmosférica é um fator de agravamento.

Como evolui a DPOC?

A doença instala-se lenta e progressivamente. Por isso muitas vezes o doente só recorre ao médico numa fase avançada da doença.



Inicialmente o doente apenas tem uma tosse acompanhada por expetoração que não valoriza; começa a fazer infeções respiratórias e a ter episódios de Bronquite aguda mais frequentes. Surge o cansaço fácil com os esforços que se vai acentuando ao longo do tempo até surgir mesmo com pequenas tarefas, como a higiene diária e a fala.



Durante algum tempo, apesar dos sintomas, o pulmão consegue levar a efeito a sua função principal: receber o oxigénio do ar e transportá-lo até ao sangue, e receber deste o anidrido carbónico que elimina para o ar.



À medida que a doença evolui e que a porção de pulmão afetado vai aumentando, esta função do pulmão vai-se reduzindo; o oxigénio que chega ao sangue vai sendo menor e o anidrido carbónico vai-se acumulando. A estas alterações dos gases do sangue dá-se o nome de insuficiência respiratória.

Como saber se tenho DPOC?

É fumador, tem tosse expetoração principalmente durante a manhã, durante 3 meses a maior parte dos dias e durante 2 anos consecutivos?



Constipa-se durante o inverno cada vez mais e durante mais tempo do que era habitual?



Cansa-se com facilidade a subir escadas e nas subidas?



Consulte o seu médico. Pode ter uma DPOC.


Como tratar a DPOC?

Deixe de fumar: esta é a única medida que impede a sua doença de se ir agravando!!! Se não o conseguir fazer sozinho, peça ajuda ao seu médico.



Evite as infeções respiratórias: vacine-se contra as infeções bacterianas e contra a gripe!!!



Trate as infeções respiratórias: em geral não se acompanham de febre. Reconhecem-se pela cor amarela da expetoração, pelo aumento da viscosidade da expetoração que se torna mais difícil de expulsar.



Use um broncodilatador para combater a falta de ar e o cansaço fácil. A melhor forma de os tomar é a forma inalatória.



Hábitos: tenha uma vida higiénica, uma alimentação equilibrada, reduza o peso se for excessivo.



Faça exercício físico, sem se esforçar para além das suas capacidades.



Poderá ter de fazer reabilitação respiratória.



Oxigénio: poderá ter de fazer se tiver insuficiência respiratória, mas nunca sem indicação dum médico.

Tuberculose

O que é a Tuberculose?

A Tuberculose é uma doença infeciosa que se transmite via inalatória, causada pelo bacilo da Tuberculose ou bacilo de Koch (BK), pertencente à família das microbactérias. 


Como se transmite a Tuberculose?

A Tuberculose transmite-se via inalatória. Ou seja, quando um doente com Tuberculose respira, fala, tosse ou espirra pode libertar no ar grandes quantidades de bacilos, que conseguem ficar suspensos no ar durante várias horas.



Quando inaladas por outro indivíduo, estes bacilos podem depositar-se nos pulmões.



Qual a diferença entre Tuberculose latente e Tuberculose doença?



Quando os bacilos inalados durante a inspiração alcançam e se depositam nos pulmões, pode ocorrer uma das seguintes situações:



1 – O indivíduo que inalou os bacilos consegue eliminá-los dos pulmões através das suas defesas naturais;



2 – O bacilo ultrapassa e vence as defesas naturais, causando o aparecimento de sintomas – Tuberculose doença;



3 – Após a inalação dos bacilos, estes podem permanecer no interior do organismo por longos períodos de tempo – Tuberculose latente. Isto significa que o indivíduo se encontra infetado pelo bacilo, mas não tem sintomas, não se encontrando doente. 


Qual a probabilidade de contágio?

A probabilidade de ficar infetado depende sobretudo do número de bacilos e do tempo de exposição aos mesmos. Estima-se que cerca de 10 em cada 100 pessoas infetadas vêm a desenvolver sintomas ao longo da vida (Tuberculose doença). 



Isto acontece particularmente nos dois primeiros anos que se seguem ao contágio e em determinadas condições que tornam as pessoas mais suscetíveis: extremos etários (crianças e idosos), desnutrição, infeção pelo vírus da SIDA, diabetes, cancro e medicação que comprometa as defesas naturais, como por exemplo a quimioterapia ou o uso prolongado de corticoides. 


Só os pulmões são atingidos pela doença?

O contacto do bacilo com o organismo é feito por via inalatória, sendo o pulmão o principal órgão atingido pela doença – Tuberculose Pulmonar.



No entanto, outros órgãos podem também ser afetados, tal como os gânglios linfáticos, pleura, meninges, pericárdio, ossos, rins, fígado e intestinos, entre outros, designando-se esta situação por Tuberculose Extra-Pulmonar.



Nos casos mais graves, quando o bacilo atinge a circulação sanguínea, todo o organismo pode ser atingido e surgir Tuberculose Disseminada. Estas duas formas de Tuberculose são mais comuns em doentes com as defesas naturais (imunidade) diminuídas.

Todos os doentes com Tuberculose são contagiosos?

Não, apenas os doentes com Tuberculose Pulmonar que eliminem o bacilo para o ar durante a tosse, o espirro, a respiração ou a falar. Pelo contrário, as formas de Tuberculose Extra-Pulmonar não são contagiosas.  


Como prevenir o contágio?

O uso de máscara quer pelo doente, quer pelas pessoas que com ele convivem diminui a probabilidade de contágio, uma vez que limita o número de bacilos libertados e que impede a sua inalação.



Como o bacilo da Tuberculose é muito sensível à ação dos raios ultravioleta presentes na luz do sol, ao manter um determinado espaço arejado e exposto à luz solar, diminui-se o número de bacilos no ar.



A melhoria das condições de higiene, habitação e nutrição das populações, assim como o reconhecimento e o tratamento precoce dos doentes com Tuberculose são a melhor forma para de prevenir o contágio.


Quais os sintomas da Tuberculose?

Na maioria dos casos, as queixas não são inicialmente valorizadas, pois não são específicas perpetuando-se e agravando-se ao longo do tempo, de forma indolente. 



Na Tuberculose Pulmonar, os principais sintomas são cansaço fácil, perda de apetite, fraqueza, emagrecimento, suores noturnos, febre habitualmente baixa de predomínio vespertino e tosse persistente frequentemente acompanhada por expetoração que pode conter sangue. 



Na Tuberculose Extra-Pulmonar existem queixas muito variadas, dependentes do órgão atingido. 

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico definitivo da Tuberculose é bacteriológico, exigindo a identificação do agente – Mycobacterium tuberculosis – nos tecidos ou líquidos biológicos (expetoração, secreções brônquicas, suco gástrico, líquidos pleural, ascítico, pericárdico, líquor, pús, urina, sangue ou fezes) atingidos pela doença. 

Onde é feito o tratamento?

O seguimento dos doentes com Tuberculose, o rastreio de conviventes e o tratamento da doença é feito preferencialmente nos Centros de Diagnóstico Pneumológico (CDP), espalhados por todo o país. 



O médico de família faz a avaliação inicial do doente, referenciando-o ao CDP da área de residência ou a um serviço hospitalar de Pneumologia, caso considere necessário. 



A maioria dos casos de Tuberculose é tratada em regime ambulatório. O internamento só é proposto quando as condições clínicas assim o exigem, pela gravidade da doença e/ou mau estado geral do doente e nos doentes bacilíferos sem condições sociais/psicológicas para restrição do contágio ou cumprimento da medicação prescrita.



Geralmente, os doentes são tratados em regime de toma observada diretamente (TOD), o que significa que o doente se dirige diariamente ao CDP para administração da terapêutica. A TOD permite não só a confirmação do rigoroso cumprimento da medicação, como a avaliação dos possíveis efeitos secundários. 


Onde é feito o tratamento?

O tratamento consiste na administração, por via oral, de antibacilares de 1ª linha, fornecidos gratuitamente no CDP.



No total, a duração mínima do tratamento da Tuberculose são seis meses, embora a duração seja decidida caso a casa pelo médico em função da gravidade e evolução clínica da doença, podendo atingir os 24 meses de terapêutica. 



É fundamental o rigoroso cumprimento da terapêutica, sob pena de se criarem resistências aos antibacilares e se comprometer a terapêutica e possibilidade de cura da Tuberculose.

O tratamento tem efeitos secundários?

Os fármacos utilizados no tratamento da Tuberculose são, na maioria dos casos, bem tolerados. O efeito secundário mais frequente é a intolerância gastrointestinal. Mais raramente, podem surgir efeitos mais graves como: reações alérgicas cutâneas, efeitos tóxicos sobre o fígado, aumento do ácido úrico, alterações sanguíneas, como anemia ou redução do número de plaquetas e dores articulares. 



Na suspeita de algum efeito secundário ou queixa relacionada com a terapêutica, o doente deve procurar o seu médico, sendo este último, a decidir sobre possíveis alterações ou suspensões terapêuticas. 

Pneumonia

O que é a Pneumonia?

A Pneumonia é uma inflamação nos pulmões, mais precisamente no parênquima pulmonar, local onde ocorrem as trocas gasosas indispensáveis à vida. Pode ser leve, severa ou mortal, dependendo da idade do doente e do seu estado de saúde.


Quais são os sintomas?

Os sintomas de um doente infetado com Pneumonia, de uma forma geral são: febre, tosse, calafrios, dores musculares, de cabeça e articulares. No entanto a Pneumonia não tem sintomas particulares, um doente infetado tem sintomas semelhantes aos de outras doenças do sistema respiratório, pelo que é difícil de detetar.


Qual é a causa?

A Pneumonia é causada pela penetração de agentes infeciosos no espaço alveolar, onde ocorre a troca gasosa, através de via aérea. Pode ser originada por uma bactéria (pneumococo) ou por um vírus (vírus da gripe).


Como se trata? É necessário internamento?

Na maior parte dos casos o tratamento não obriga a internamento, podendo este ser feito em ambulatório. No entanto, se se verificar outro tipo de problemas de saúde ou doenças que possam fazer agravar a Pneumonia é aconselhável que se recorra ao internamento, até porque entre as primeiras 48h a 72h a evolução da infeção não decorre de forma favorável.



Se a infeção for de origem bacteriana é tratada com antibióticos, se na sua origem estiver um vírus recorre-se a fármacos antivirais.

A Pneumonia é uma doença frequente? Quem são os mais atingidos?

A Pneumonia afeta, por ano, cerca de 12 pessoas por cada 1000 habitantes e as vítimas mais frequentes são crianças e idosos. Estes, por serem usualmente aqueles que têm sistemas imunológicos mais débeis, são aqueles em que a doença causa maiores danos, obrigando muita vez as vítimas a serem internadas.


Como se pode prevenir a Pneumonia?

Para prevenir a Pneumonia existe uma vacina que evita formas mais agressivas da doença e deve ser administrada àqueles que fazem parte do grupo de risco, como idosos com idade superior a 65 anos de idade, pessoas que vivam em lares/centros de dia ou locais similares, doentes pulmonares e doentes crónicas, indivíduos sujeitos a tratamentos que tornam as defesas mais fracas, grávidas, profissionais de saúde e pessoas que usualmente convivam com outras que estão ou já estiveram infetadas com a doença.

A vacinação contra a gripe também é uma forma de prevenir a Pneumonia?

Sim, também é. Infeções virais recentes facilitam o aparecimento da Pneumonia e aumentam também o risco de que surjam problemas que daí advém, o que muitas vezes obriga ao internamento da vítima. Portanto a vacinação contra a gripe é também uma forma de prevenção da Pneumonia.

Cancro do Pulmão

O que causa o Cancro do Pulmão?

Cerca de 85% dos casos no homem e 65% na mulher são causados pelo fumo do tabaco, que contém numerosas substâncias carcinogénicas. 



Se não é fumador, não experimente o tabaco. Se é fumador, existem muitas vantagens em deixar de fumar, mesmo em pessoas que fumaram durante anos. 



Não fume na presença de outras pessoas. Cientistas demonstram que não-fumadores que vivem ou trabalham com fumadores têm um risco acrescido de Cancro do Pulmão.



Outras causas do Cancro do Pulmão passam pela exposição ao amianto ou pela exposição ao amianto ou pela exposição a substâncias radioativas quer noutros ambientes como exposição a essas substâncias. 


Existem vários tipos de Cancro do Pulmão?

Quase todos os casos de Cancro do Pulmão são carcinomas, que são habitualmente divididos em dois tipos: carcinoma pulmonar não pequenas células e carcinoma pulmonar de pequenas células. 



O carcinoma pulmonar não pequenas células, que engloba cerca de 85% dos casos, é o mais comum. Este divide-se ainda em vários tipos: adenocarcinoma, carcinoma de células escamosas ou epidermoide, carcinoma de grandes células, indiferenciados e os mistos.



Os vários tipos de Cancro do Pulmão caracterizam-se porque são originários de células diferente, crescem, estendem-se e tratam-se de formas diferentes. 


Quais os sintomas do Cancro do Pulmão?

Existem vários sinais de alarme que, por coincidirem com outros problemas, são muitas vezes desvalorizados. Uma vez que o Cancro do Pulmão é na maioria dos casos causado pelo tabaco, muitos dos doentes apresentam falta de ar, tosse e expetoração persistentes. 



Se houver um agravamento da falta de ar, da tosse ou da expetoração, ou se esta aparecer com sangue, deve consultar o seu médico.



Perda de apetite, emagrecimento, fadiga acentuada, dores persistentes, rouquidão e chiadeira são outros dos sinais de alarme a ter em conta.



Estes são alguns dos sintomas de alerta a valorizar, especialmente se surgem num indivíduo fumador. Contudo, nenhum destes sintomas é seguro de Cancro do Pulmão. Só o seu médico poderá esclarecer se esses sintomas são causados por um cancro ou por outro problema. 


Como diagnosticar Cancro do Pulmão?

Para encontrar a causa dos sintomas, o seu médico interroga-o sobre a sua história pessoal e familiar, sobre os seus hábitos tabágicos e profissionais e sobre a evolução cronológicas dos seus sintomas. Após o exame físico, pede-lhe um RX Tórax e outros exames que julga que necessários. O mais comum é a TAC (tomografia axial computorizada) torácica que permite observar os pulmões e outros órgãos vizinhos com grande detalhe. 



Embora suspeitando, a única forma de saber se tem cancro ou não, é obter-se algumas células da zona suspeita para observação, através da realização de uma biópsia. 


Qual o tratamento para o Cancro do Pulmão?

Após o diagnóstico de Cancro do Pulmão, o médico necessita de avaliar o doente para melhor planificar a terapêutica e saber do prognóstico da doença. O médico precisa de fazer uma avaliação cuidadosa global para determinar o tipo, a localização, a extensão da doença e o estado geral do paciente.



Os tratamentos mais frequentemente propostos são a cirurgia, a radioterapia e a quimioterapia. Estes podem ser realizados de forma isolada ou combinados entre si, sequencialmente ou em simultâneo. A cirurgia é utilizada quando é provável que todo o tumor possa ser retirado. Com a radioterapia e a quimioterapia procura-se matar as células cancerosas evitando que elas se dividam e que o tumor continue a crescer.



A radioterapia é um tratamento local com radiação emitida por uma máquina sobre a região afetada. Ocupa uns minutos diários, durante 5 dias por semana, por várias semanas e é indolor. 



A quimioterapia é um tratamento sistémico, isto é, os medicamentos injetados no sangue ou tomados oralmente, atingem potencialmente todas as partes do corpo incluindo as áreas afetadas.


O tratamento tem efeitos secundários?

Limitar o efeito do tratamento ao tumor, se bem que fosse desejável, é impossível. Os tratamentos prejudicam também células e áreas normais e causas efeitos secundários indesejáveis. Estes dependem do tipo e extensão do tratamento e variam de doente para doente.



Depois de uma cirurgia torácica, é normal que o doente se sinta com poucas forças e menos energia. Como os músculos da zona afetada estão mais debilitados, o doente é ensinado a reforça-los, a respirar profundamente e a adquirir atitudes posicionais corretas. 



Durante a radioterapia é comum a pele da área tratada tornar-se seca, avermelhada e dar comichão. Os doentes devem evitar nestas áreas exposições diretas ao sol, roupas que irritem e o uso de cremes não recomendados pelo seu médico. Também é frequente os doentes sentirem a garganta seca, rugosa, dorida e dificuldade em engolir. 



Com a quimioterapia, os efeitos secundários variam de pessoa para pessoa e consoante o medicamento usado. Geralmente, o doente fica mais sujeito a infeções, sente mais fadiga, pode surgir a queda do cabelo, os enjoos, vómitos ou diarreias. Estes efeitos desaparecem gradualmente durante o período de recuperação ou com o fim da quimioterapia. 


O que deve comer o doente com Cancro do Pulmão?

Comer bem significa ingerir bastantes calorias e proteínas que evitem a perda de peso. Aqueles doentes que comem bem durante o tratamento toleram-no melhor, com menos efeitos secundários e mais energia. 



Há doentes que não têm apetite, outros deixam de sentir o gosto dos alimentos, outros sentem-se cansados para comer ou estão persistentemente enjoados, com vómitos ou feridas na boca. Esses doentes devem conversar com o seu médico sobre a forma de ultrapassar estas questões. 


Tabagismo

O que é?

O Tabagismo é considerado pela Organização Mundial de Saúde como uma doença do foro respiratório devido aos seus compostos químicos, como a nicotina, causarem dependência e alterações nos indivíduos que fumam. É uma das patologias que todos os anos provoca mais vítimas mortais por todo o mundo, cerca de 4,9 milhões. 


Quais são os compostos do tabaco?

Fumar um cigarro significa inalar mais de 4000 substâncias químicas, sendo que dessas 50 são cancerígenas. Os cigarros contêm alcatrão, monóxido de carbono, acetona, butano, amoníaco, entre outros. É devido a todas estas substâncias químicas que é tão perigoso para a saúde.

Quais as doenças associadas ao Tabagismo?

O Tabagismo é a principal causa do Cancro do Pulmão, originando cerca de 90% dos casos. Também as doenças cardiovasculares, os enfisemas pulmonares, a Bronquite, a DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica) e o cancro em outros órgãos pelos quais o tabaco passa para chegar até aos pulmões e para sair do organismo são atingidos.


Que tipo de tratamento posso fazer para parar de fumar?

Existem já imensas opções de tratamento no mercado para parar de fumar, desde comprimidos, a pastilhas e adesivos que ajudam a controlar o desejo e a ausência da nicotina. Para ter resultados mais eficazes o melhor é optar pedir ajuda ao seu médico ou farmacêutico para que estes façam um acompanhamento do processo, tornando-o mais simples e potenciando os resultados positivos.


De que forma os fumadores passivos são afetados?

Um fumador passivo é alguém que apesar de não ser fumador inala o fumo do tabaco por se encontrar em locais fechados onde exista fumo ou por estar perto de pessoas que o fazem. A forma como são afetados é idêntica à de um fumador ativo, uma vez que o fumo inalado contém todos os químicos presentes no tabaco. O melhor é mesmo evitar ambientes fechados em que seja permitido fumar.


Quais os benefícios de deixar de fumar?

Além de estar a cuidar da sua saúde, existem muitas outras razões para deixar de fumar e os benefícios começam assim que para. Depois de 20 minutos de fumar a pressão sanguínea volta aos níveis normais; 8 horas depois os seus níveis de oxigénio voltam ao normal e os de monóxido de carbono reduzem para metade; depois de 4 dias sem fumar os brônquios estão mais relaxados e o ex-fumador sente-se mais enérgico; entre 3 a 9 meses depois a tosse e os problemas respiratórios reduzem; 1 ano depois tem menos metade de probabilidade de sofrer um ataque cardíaco; após 5 anos o risco de um AVC é igual ao de um não fumador; em 10 anos também o risco de sofrer de cancro do pulmão é igual ao de um não fumador; em 15 o risco de ataque cardíaco é também igual ao de um não fumador.