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Face à disseminação da estirpe britânica da SARSCoV-2, caracterizada por uma maior capacidade de transmissibilidade da doença, vários países europeus, entre os quais a França, a Alemanha e a Áustria, estão a reforçar as medidas de prevenção da propagação da COVID-19. Uma das medidas consiste na proibição da utilização de máscaras comunitárias, muitas delas de fabrico caseiro e sem qualquer controlo de qualidade ou certificação. Tendo em conta as solicitações da comunicação social em relação ao esclarecimento das diferenças entre os vários tipos de máscaras, a Sociedade Portuguesa de Pneumologia vem, por esta via, explicar que:

1 - As máscaras são dispositivos médicos que cobrem a boca, nariz e queixo, constituindo uma barreira que limita a contaminação por microrganismos, ajudando a reduzir e/ou controlar a propagação e inalação de gotículas da pessoa que usa este dispositivo. A correta utilização de máscaras é uma das medidas mais eficazes para a prevenção da infeção por COVID-19, daí a importância de seguirmos a recomendação das autoridades de saúde para a utilização de máscara em todos os espaços públicos abertos ou fechados.

2 - Por não serem sujeitas a qualquer tipo de certificação ou de controlo de qualidade, algumas máscaras caseiras, geralmente feitas em vários tipos de tecido (lavadas e reutilizadas múltiplas vezes), também chamadas de máscaras comunitárias, podem não ter a eficácia desejada na prevenção da propagação e inalação de gotículas e da contaminação por microrganismos.

3 - As máscaras cirúrgicas protegem da disseminação e/ou inalação de gotículas e têm uma capacidade de bloqueio igual ou superior a 95%. São, por isso, eficazes na filtração de partículas potencialmente infeciosas e indicadas para utilização em espaços públicos abertos e fechados, nomeadamente, lojas, transportes públicos ou na rua. Após um máximo de quatro horas de utilização, as máscaras cirúrgicas devem ser substituídas, caso contrário, perdem eficácia. Estas máscaras não podem ser lavadas nem reutilizadas. A sua correta utilização implica a cobertura da boca, nariz e queixo.

4 - As máscaras FFP2 são constituídas por um respirador que tem uma capacidade de filtração de partículas igual ou superior a 95%. Vários estudos compararam a eficácia da utilização das máscaras FFP2 com as máscaras cirúrgicas na prevenção da gripe, tendo demonstrado que, embora não haja uma diferença significativa entre as máscaras FPP-2 e as máscaras cirúrgicas, verifica-se uma potencial proteção adicional associada às máscaras que têm respirador. As máscaras FFP-2 são utilizadas em ambiente de maior exposição aos agentes patogénicos, nomeadamente em ambiente hospitalar, na execução de procedimentos médicos que implicam maior risco. No atual contexto pandémico, poderão ser consideradas em circunstâncias locais ou ambientes de maior risco de transmissibilidade.

5 – Tendo em conta a impossibilidade de assegurar a qualidade de todas as máscaras comunitárias utilizadas pela população e partindo do pressuposto da fabricação e distribuição adequada de máscaras cirúrgicas, a Sociedade Portuguesa de Pneumologia considera que:

  • Deverá ser considerada a obrigatoriedade de uso de máscaras cirúrgicas, podendo ser considerado, apenas em alternativa, o uso de máscaras comunitárias certificadas pelo CITEVE que, cumprindo os critérios de filtração de partículas, respirabilidade e boa adesão à face e nariz, podem conferir uma proteção comparável.
  • nos contextos de maior risco, nomeadamente os cuidadores de doentes ou famílias com elementos infetados por COVID-19, ou situações associadas a maior aerossolização e disseminação de gotículas respiratórias, deverá ser equacionado o uso de máscaras FFP-2.
  • o uso de máscara não substituiu as restantes medidas e o distanciamento físico, lavagem frequente, desinfeção das superfícies e adequada ventilação dos espaços fechados são igualmente fundamentais.

Referências: Proteção Facial e Respiratória: Perspetivas Atuais no Contexto da Pandemia por COVID-19, David PERES, José Pedro BOLÉO-TOMÉ, Gilda SANTOS, Acta Med Port 2020 Sep;33(9):583-592 https://www.actamedicaportuguesa.com/revista/index.php/amp/article/viewFile/14108/5999

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