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Rara, pouco conhecida, mas que rouba o ar. É assim a fibrose pulmonar, uma doença respiratória progressiva, sem cura, mas com tratamento, que iniciado atempadamente pode devolver qualidade à vida de quem luta pelo ar que vai faltando. Com o objetivo de alertar a população e os profissionais de saúde para os seus sintomas e para a importância de um diagnóstico atempado, a Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) junta-se à RESPIRA, com o apoio da Boehringer Ingelheim, na campanha “Viver com Fibrose Pulmonar”. Esta campanha é lançada hoje, no âmbito da comemoração do Dia Mundial de Sensibilização para a Fibrose Pulmonar.

Segundo o Prof. António Morais, pneumologista e presidente da SPP, “se considerarmos uma incidência anual de três a nove doentes por 100.000 pessoas, seriam diagnosticados várias centenas de doentes por ano com Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI). Por outro lado, se considerarmos as pneumonias fibrosantes, para além da FPI, este número acresce de forma significativa”. Pessoas para quem a doença, acrescenta Isabel Saraiva, presidente da RESPIRA, causa “um enorme sofrimento”. Acrescenta ainda que “essas pessoas têm que ter acesso aos cuidados de saúde necessários”.

E tudo começa com o diagnóstico, nem sempre fácil ou atempado, o que resulta do facto de os sintomas desta doença - falta de ar ou tosse persistente - serem semelhantes aos de tantas outras. O Prof. António Morais confirma que a fibrose pulmonar é uma doença incapacitante, na qual “o doente apresenta cansaço e menor tolerância ao esforço de forma progressiva”. E, acrescenta o especialista, “dado tratar-se de uma doença rara é claramente uma doença pouco reconhecida e subdiagnosticada. Este cenário só poderá alterar-se através duma maior sensibilização sobre a doença, nomeadamente a nível dos cuidados de saúde primários”.

Por isso, reforça que “um doente com mais de sessenta anos e incapacidade para o esforço e/ou tosse persistente deverá valorizar este sintoma e recorrer ao médico”. Já para os profissionais de saúde, o presidente da SPP alerta para a necessidade de considerar a doença “como uma hipótese de diagnóstico, nomeadamente quando as doenças mais frequentes, que se podem apresentar desta forma, forem descartadas”.

A campanha “Viver com Fibrose Pulmonar” é, segundo a Dr.ª Isabel Saraiva, “muito bem-vinda”. Todas as ações que, de alguma forma, se destinam a falar desta doença, dos problemas que causa, das dificuldades que as pessoas sentem no seu dia a dia são muito bem-vindas, porque é a única forma de chamar a atenção, da população em geral e dos decisores, para a urgência destes doentes terem acesso, em primeiro lugar ao diagnóstico, onde tudo começa; em segundo lugar, ao tratamento e, depois, a ações subsequentes, como a reabilitação respiratória e as consultas de cessação tabágica”.

Sobretudo em tempos de pandemia, acrescenta, que interrompeu muitos cuidados de saúde. “Vivemos duas suspensões de cuidados de saúde no espaço de 16 meses, em que todos os serviços foram afetados. Todas as doenças respiratórias foram afetadas, sem exceção, umas mais do que outras. E se uma pessoa que já tem fibrose pulmonar, uma doença respiratória altamente incapacitante e com a qual é difícil viver, vive ainda um contexto de pandemia, tudo na sua vida se torna mais difícil.”


A campanha apresenta ainda o site, que reúne conteúdos credíveis, com uma linguagem acessível, que explicam o que é a fibrose pulmonar e os seus sintomas, assim como conselhos para doentes e seus cuidadores e dicas úteis para que o doente possa ter uma melhor qualidade de vida. Conta ainda com um filme e outros conteúdos digitais, que serão divulgados nas redes sociais da RESPIRA e da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, com o objetivo de aumentar a informação e sensibilização para este tema.

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